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Número: 149
Data: 01/10/2014
Título: ENSINO À DISTÂNCIA E INDIOS TUPI(S)

--- Tenho certa resistência em grafar ensino a distância, sem o acento grave indicativo de crase, como é comum encontrar nos documentos exarados pelo MEC. Alguns autores classificam tal ocorrência como crase facultativa. Podia comentar? Prof. José T. B. Neto, Umuarama/PR


Não está errado o Ministério da Educação. Mas eu, assim como o professor, prefiro usar o acento – nessa e em outras locuções adverbiais femininas que indicam circunstância. O motivo é que a ausência do acento pode deixar o texto ambíguo. Em “ensinar/estudar a distância”, por exemplo, fica-se com a impressão de que é a distância que está sendo ensinada ou estudada. É o mesmo caso de viu a distância, escreveu a distância, curou a distância, fotografe a distância, permanece a distância [= a distância permanece] e assim por diante, que parecem melhor quando craseadas: viu à distância, escreveu à distância, curou à distância, fotografe à distância, permanece à distância.


Com a distância determinada, especificada, o A deve ser obrigatoriamente acentuado: 


Fotografe à distância de um metro.

Cientistas esperam medir 60 mil galáxias à distância de nove bilhões de anos-luz.

Ficou à distância de uns 10 km.


Já na frase “Compramos uma chácara a grande distância daqui” não há crase, porque está subentendido o artigo indefinido: a [uma] grande distância.


Enfim, entendo que é sempre melhor acentuar a expressão, até porque em determinadas situações só o acento clarifica o sentido dado à palavra, como por exemplo nesta explicação entre parênteses: Reviu seus estudos a respeito da estratégia tele (“à distância”) de lidar com os saberes tácitos.


ÍNDIOS TUPI OU TUPIS


Sempre que nossos indígenas ficam em evidência, surge a pergunta: deve-se dizer índios tupi ou índios tupis? Guarani ou guaranis? Xokleng ou xoklengs? A resposta é "tanto faz". Aceita-se o singular (mais técnico) ou o plural:


Muitos índios Gê haviam sido dizimados pelos missionários.

No litoral de SC estavam os índios tupi-guarani, ceramistas com rudimentos de agricultura, que haviam ocupado a região pelo menos 800 anos antes.

No interior habitavam os kaingang e os xokleng, do grupo Gê, também afugentados do litoral pelos carijós.


Maria Helena de Moura Neves (Gramática de Usos do Português, Ed. Unesp, 2000:164) ensina: “Também não recebem marca de plural os nomes de tribos indígenas, seguindo convenção internacional dos etnólogos: (...) # Entretanto, frequentemente se usam esses nomes pluralizados, como qualquer outro nome de povo.”


Embora facultativo o uso, parece soar melhor o plural quando o nome da tribo tem vogal final: pataxós, caiapós, macuxis, ianomamis, kaiowás, camaiurás, xavantes, bororos.


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