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Número: 022
Data: 25/04/2012
Título: ATRAVÉS DA CHEFE, DA PRESIDENTE E DO SENHOR DOUTOR

--- É muito usual na Justiça o cabeçalho endereçado ao EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO, diz o advogado Ricardo Q. Duarte, de Florianópolis/SC. É preciso usar o “doutor” nesse caso?


Não necessariamente. No meio forense é comum conceder esse tratamento ao juiz por deferência à sua autoridade, da mesma forma como a tradição no Brasil nos permite tratar médicos, advogados e engenheiros por “doutor Fulano”. Todavia, se é uma praxe correta, não é de rigor absoluto. A tendência moderna é atribuir o designativo de doutor somente a quem de fato tem doutorado ou pós-doutorado. Por isso às vezes se vê escrito “Prof. Dr. Armênio”, ou mesmo “Prof. Armênio, Dr.", com a titulação no final. Sendo assim, é o bastante escrever EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO. Na correspondência, oficial ou não, de cunho mais recente, dispensa-se qualquer titulação na frente do nome quando o destinatário não é mesmo doutor Ph.D. ou quando se desconhece isso. Exemplos:


Excelentíssimo Senhor
Fulano de Tal
Governador do Estado
São Paulo – SP


Exma. Sra.
Ângela A. A.
Prefeita Municipal
Florianópolis – SC 
 

À Senhora
Profa. Maria do Socorro Alves
Diretora do Depto. de Biologia da UFPar
Nesta
 

O mesmo leitor gostaria de saber como é que fica a questão do vocativo feminino “com o avanço das mulheres aos cargos de direção em geral: presidente ou presidenta?” Neste caso específico, valem os dois termos: uma juíza pode ser a presidente ou a presidenta de um Tribunal, por exemplo. A primeira forma é de uso mais corrente, porém é bom saber que "presidenta" é uma variação possível, assim como há outros femininos (raros) em –nta: governanta, infanta, parenta, giganta...


E a mulher será sempre a chefe de determinado setor. Pode-se falar em chefa coloquialmente, porém de maneira oficial se dirá: Senhora Chefe, à Chefe de Recursos Humanos... O dicionário Houaiss registra chefa, mas como "uso informal".


ATRAVÉS DE


Ao formular suas dúvidas sobre o uso correto de através de, a atenta leitora Sandra R. Martins nos proporciona, ao mesmo tempo, as respostas a elas. Vejamos:


Segundo muitos autores e estudiosos da Língua Portuguesa, a expressão através de exige sempre a preposição de [certo: “através a presente” é galicismo condenável]. No seu sentido correto, esta locução equivale a "por dentro de, de um lado a outro, ao longo de, no decurso de". Exemplos: andou através de campos e matas; velejou através de todo o mar; observava através da janela; foi sempre o mesmo cidadão através dos anos.
A sugestão indicada por eles é que se evite recorrer a "através de" como sinônimo de "por meio de, por intermédio de", uma vez que a maior parte dos dicionários não registraria a locução com este sentido. Assim sendo, expressões como "através do telefone, através deste, através de um comunicado, através do botão, através do rádio" estariam incorretas.
Acontece, porém, que o novo Dicionário Aurélio (1999) já registra esta locução com o sentido de "por intermédio de". Noto que em jornais, revistas, manuais, TV ou outros meios de comunicação, quer na fala, quer na escrita, as pessoas preferem "através de". Esta forma, de tão generalizada, acabou se consagrando na língua?

Sim, Sandra. Já está consagrado, acertado e dicionarizado o uso da locução através de em qualquer sentido: firmar convênio através de uma Secretaria, educar através de exemplos etc. Nem haveria uma razão lógica para não usarmos através de, expressão tão comum em outras línguas. Tenho trabalhado com textos em inglês e francês e me deparo amiúde com through e à travers, para mencionar dois casos. O que devemos procurar é evitar essas repetições dentro de um texto, empregando também as variações disponíveis: mediante, por intermédio de, por meio de.


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