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Número: 168
Data: 11/02/2015
Título: GERÚNDIO SEM VÍRGULA (1)

--- Gostaria de saber em quais casos, efetivamente, deve-se empregar o gerúndio. Rosemary Toffoli, São Paulo/SP


É impossível ver todos os tipos de emprego numa só coluna, Rosemary. Mas há duas semanas tivemos a oportunidade de analisar e estudar um caso, aquele em que o gerúndio precedido de vírgula dá ideia de adição em substituição ao conectivo “e”.  Repito um exemplo: Ligou para o celular de D. Marisa, no sábado, lamentando o sequestro. No domingo voltou a falar com Lula, marcando uma conversa pessoal. Isso equivaleria a dizer: “Ligou para o celular de D. Marisa, no sábado, e lamentou o sequestro. No domingo voltou a falar com Lula e marcou uma conversa pessoal”.


Vejamos agora o uso do gerúndio sozinho (sem verbo auxiliar) numa situação de oração reduzida adverbial de modo depois da oração principal. Neste caso específico, quando o gerúndio denota MEIO, MODO ou INSTRUMENTO – respondendo, portanto, à pergunta como?, não se usa a vírgula, pois então se trata de uma oração subordinada na sua ordem normal, que é depois da principal. [É importante observar que no parágrafo anterior se falou de gerúndio que une orações coordenadas.] Eis alguns exemplos de orações reduzidas modais de gerúndio (sem a vírgula, portanto):


O presidente subiu a rampa correndo.

A cigarra passou a vida cantando.

Mandou pintar o edifício empregando mão de obra local.

Dewey já comentava a importância de “aprender fazendo”.

A criança constrói sua cultura brincando.

Finda a sessão, a ré saiu chorando da sala.

Esse fato contribui ainda mais para afastá-lo da sua missão de eliminar conflitos realizando a justiça.

O Direito deve retomar o seu papel de instrumento de ordenação respondendo às convenções morais.

Em 1831 um empresário decidiu minorar a falta de transportes públicos de Nova York encomendando um veículo para 12 pessoas a um fabricante de carruagens.


Em Portugal, é bom que se diga, o gerúndio é desprezado nesse tipo de frase. Lá se costuma empregar a oração reduzida de infinitivo, que nós brasileiros também usamos (mas não tanto): Subiu a rampa a correr / passou a vida a cantar / a criança constrói sua cultura a brincar / saiu da sala a chorar e assim por diante.


Podemos afirmar também que a ausência da vírgula diante do gerúndio (ou oração gerundial) é a regra em qualquer tipo de oração adverbial na sua ordem habitual, isto é, depois da oração principal, não anteposta nem intercalada. Constata-se esse uso mais frequentemente quando o gerúndio equivale a uma oração adverbial final, ou seja, aquela que exprime uma finalidade (poderíamos dizer que responde à pergunta para quê?):


Telefonou para sua mulher dizendo que ia jantar fora.

O BC emitiu nota oficial desmentindo os boatos especulativos a respeito dos juros.

Ele renunciou objetivando facilitar as investigações.

A imobiliária deve enviar e-mail ao locador avisando-o de que fez despesas em seu favor.


Tem mais. Em breve, abordaremos o gerúndio equivalente a uma oração adjetiva restritiva, igualmente sem vírgula.


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