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Número: 084
Data: 05/06/2019
Título: SOCIOECONÔMICO OU SÓCIO-ECONÔMICO

Embora não haja mais discussão, pois o Acordo Ortográfico 2009 determina a grafia socieconômico, sociocultural, socioinstitucional, esta coluna permanece aqui pelo seu histórico.


--- O Manual de Redação da Folha de S. Paulo recomenda a grafia “socioeconômico” para a palavra composta “sócio-econômico”. Desejo saber qual a grafia correta. Márcio Antonio de Melo, Chapecó/SC


As duas grafias coexistem no Brasil. A forma inovada é sem hífen. A mais antiga é hifenizada, pois foi estabelecida de acordo com a regra de formação dos adjetivos compostos, em que o primeiro adjetivo fica na sua forma neutra (sem flexão de feminino ou plural), às vezes reduzida (infantil – infanto, literário – lítero, maxilar – maxilo, social – sócio), e os dois elementos se unem obrigatoriamente por hífen. É o caso, por exemplo, de político-financeiro, histórico-cultural, infanto-juvenil, técnico-administrativo, entre dezenas de outros.


A questão começa a ser controversa quando se verifica que “socio” – redução tanto de “social” quanto de “sociedade” – também entra na composição de substantivos, como sociolinguística, sociodrama, sociogenética, sociogeografia, socioeconomia. Aqui, então, sócio- é considerado um “elemento de composição”, como registram os dicionários. Desta forma, mais pelo aspecto visual do que lógico, começou-se a escrever igualmente num só bloco o adjetivo: sociogenético, sociolinguístico, socioeconômico, sociogeográfico, sociocultural, socioinstitucional, sociopolítico.


Essa evolução e a hesitação entre uma e outra grafia podem ser constatadas nos dados abaixo:


. Dicionário Aurélio 1986: apresenta sócio-econômico, sócio-político, sociocultural e sociolinguístico.

. Manual de Redação da Folha de S. Paulo 1987: sócio-econômico e sócio-cultural.

. Novo Manual de Redação da Folha de S. Paulo (Anexos) 1992: socioeconômico.

. Dicionário Aurélio 1999: sociobiológico, sociocultural, socioeconômico, sociolinguístico, sociopolítico e sociorreligioso.

. Dicionário Houaiss 2001: tudo sem hífen, inclusive socialpatriótico e socialdemocracia (!). Ali constam igualmente as variações socieconômico e socieconomia [sem O]. 


De fato, a grafia sem hífen é mais econômica. E considerar a redução de um adjetivo como elemento de composição não é fato novo nem raro. Veja-se agro, cardio, eletro, gastro e termo, que formam vocábulos como agroindustrial, agrosserviço, cardiorrespiratório, eletrotécnico, eletroeletrônica, termodifusão, termoestável.


De outra parte, o dicionário Houaiss, nos verbetes soci(o), não traz nenhum adjetivo formado por três elementos, como em “atividades sócio-político-culturais, medidas político-econômico-sociais”. Quem prefere a composição sem hífen deveria, nesses casos, escrever: atividades sociopoliticoculturais, medidas politicoeconomicossociais. Só que a coerência aí levaria à grafia de nomes um tanto estranhos e mais difíceis de entender.


No tocante a palavras iniciadas com h, é de lei (2009) o registro com hífen: ”Enquanto as ideologias seriam puras projeções que não têm efeito transformador no mundo sócio-histórico, as utopias seriam ideias passíveis de concretização, até certo ponto e em seu tempo, neste mundo” (J. R. Thompson).


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